pOR: Esneta Marrove (Texto) e Paulino Afonso (Fotos e Vídeo )
Entete, Nampula, 16 de Setembro de 2026 – Muaija Mussa começou hoje um novo capítulo na sua vida. Aos 63 anos, a moçambicana recebeu oficialmente as chaves da sua nova casa, a primeira construída com base em material local acessível no âmbito do Projecto de Habitação Resiliente e Empoderamento Económico da Tzu Chi na Ilha de Moçambique.
A casa de Muaija Mussa foi usada como modelo para a capacitação de membros de mais de 500 famílias envolvidas no projecto, cujo objectivo é garantir que este primeiro grupo desenvolva técnicas para a construção de casas resilientes, habilidades que posteriormente serão partilhadas por outras comunidades.
Muaija Mussa faz parte das cerca de 2.700 famílias afectadas por intempéries que têm recebido assistência regular da Fundação Tzu Chi naquela província do norte de Moçambique.
Os ciclones que atingiram a Ilha de Moçambique deixaram milhares de famílias sem abrigo.
Muaija, por exemplo, perdeu a casa e os seus bens, ficando, juntamente com a filha e cinco netos, sem tecto e sem meios de sobrevivência. A família dependia da agricultura para se sustentar.
A situação agravou-se no ano passado, quando Muaija perdeu o marido, vítima de doença. Ele era o principal responsável pelo sustento da família e também estava a construir uma casa para os seus familiares.
“Antes do meu marido perder a vida, ele cuidava de todo o sustento da casa. Fazia pequenos trabalhos para nos sustentar, mas, desde que se foi, a nossa vida ficou mais difícil e complicada, porque até a casa que ele estava a construir para nós ficou inacabada e tivemos de viver ao relento”, contou Muaija Mussa.
Sem o principal provedor da família, os netos decidiram dar continuidade à construção que serviu de casa para Muaija durante cerca de um ano. No entanto, a habitação, construída com materiais locais, como barro, estacas e palha de coqueiro, era extremamente vulnerável às condições climáticas.
“Sempre que chove passamos mal. A cobertura não resiste a ventos fortes e chuvas torrenciais. Quando isso acontece, sai uma telha e entra água pelas paredes, o que me preocupava muito”, acrescentou Muaija.
A preocupação de Muaija acabou em Junho deste ano, quando a Fundação de Caridade Tzu Chi deu início ao Projecto de Habitação Resiliente e Empoderamento Económico na Ilha de Moçambique.
A primeira fase foi a capacitação de cerca de membros de 500 famílias em técnicas de construção de casas resilientes utilizando materiais locais.
A casa de Muaija foi escolhida para servir de modelo. Volvidos dois meses, a casa ficou concluída e foi oficialmente inaugurada hoje e entregue.
“Não imaginava que teria um tecto digno, onde não precisasse de me preocupar com a chuva nem com o vento. Muito obrigada”, disse a beneficiária.
A casa-modelo do Projecto de Habitação Resiliente foi inaugurada está no bairro de Entete, na Ilha de Moçambique, marcando uma nova etapa no apoio da Tzu Chi às famílias afectadas por eventos climáticos extremos na região.
A entrega da casa modelo marca o encerramento da fase de capacitação de membros de 500 famílias em técnicas de construção de habitações resilientes com recurso a materiais acessíveis localmente, num projecto promovido pela Fundação Tzu Chi Moçambique, com o apoio do sector empresarial e das autoridades locais.
“Estamos felizes por anunciar que a primeira casa modelo está concluída e a formação destas comunidades também. Durante formação teórica e prática, as comunidades aprenderam que é possível construir com dignidade e segurança, utilizando os recursos acessíveis: pedra, bambu ou madeira”, Tai-Lin Tsai, instituidora da Tzu Chi Moçambique, durante a cerimónia.
Com o acompanhamento de arquitetos e técnicos de construção local, o objectivo do projecto é garantir que este primeiro grupo desenvolva técnicas para a construção de casas resilientes.
Cerca de 80% dos membros das 500 famílias beneficiárias, durante a fase de formação, foram mulheres, pessoas provenientes de um grupo composto por um universo de 2.700 agregados familiares afectados por intempéries e que tem sido assistido regularmente pela Tzu Chi naquela província do norte de Moçambique.
O empresariado de Nampula vai desempenhar um papel fundamental para a sustentabilidade do projecto.
Recentemente, estas famílias receberam da Tzu Chi sementes de gergelim. Com o sucesso da campanha agrícola em curso, estima-se que cada família possa arrecadar, em média, cerca de 200 mil meticais com a comercialização do gergelim ao empresariado local, parte do qual já se comprometeu com a aquisição dos produtos, como é o caso da Agro-Food.
Com o valor arrecadado com a venda da produção, as 500 famílias beneficiárias vão ser capazes de arcar com a aquisição do material necessário para as habitações, orçadas, cada uma, em 176 mil meticais.
Além do empresariado local, no âmbito da promoção da inclusão financeira, o Banco Millennium Bim vai promover sessões de educação financeira e apoiar a abertura de contas bancárias para os beneficiários, incentivando uma gestão segura e responsável dos rendimentos provenientes da venda do gergelim.
“O papel dos nossos parceiros, que já manifestaram a sua abertura, é fundamental neste projecto. A cadeia de valor que se vai criar será o ponto mais importante para a sustentabilidade da iniciativa”, acrescentou Nazira Alferdo, coordenadora do Projecto de Habitação Resiliente e Empoderamento Económico na Ilha de Moçambique.
Nos últimos três anos, só em Nampula, a Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique apoiou, com alimentos, capacitação e bens essenciais, cerca de 16 mil famílias afectadas por ciclones.
Estabelecida em Moçambique em 2012, o apoio da Tzu Chi às comunidades moçambicanas em diferentes projectos se estende pelas províncias de Maputo, Gaza e Sofala, além de Nampula, sendo o resultado das contribuições de mais de 10 milhões de voluntários desta fundação de origem budista distribuídos pelo mundo.
Com representações em mais de 60 países, a Tzu Chi, que neste ano celebrou globalmente o seu 60.º aniversário, foi fundada pela Mestre Cheng Yen, uma líder espiritual budista, tendo a Educação, Caridade, Medicina e Cultura Humanística como pilares.
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