
Sofala, 18 Jan 2025 – A Fundação de Caridade Tzu Chi entregou hoje mais 418 casas para as comunidades de Guara-Guara, antecipando a cerimónia oficial que estava prevista para os próximos meses face à vulnerabilidade das famílias que estão actualmente a ser afectadas por inundações naquele ponto país.
“O impacto das chuvas no centro e sul do país é devastador. Decidimos acelerar a entrega das casas que já estavam prontas, como forma de responder de imediato às necessidades da população em Guara-Guara”, explicou o Presidente da Tzu Chi Moçambique, Dino Foi.
A localidade de Guara-Guara acolhe a maior parte das três mil casas resilientes que a Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique está a erguer no âmbito do projecto Hope, que prevê também a construção de um total de 23 escolas em Sofala e cujos beneficiários são as comunidades afectadas em 2019 pelo ciclone Idai.
Até ao momento, do universo de três mil habitações previstas em Sofala, mais de 2.400 casas foram concluídas e entregues nos centros de Reassentamento de Guara-Guara, Kura, Metuchira e Ndeja, na província de Sofala.
Globalmente, juntando a construção de escolas e habitações, projecto Hope está orçado em 108 milhões de dólares, um montante disponibilizado pelos mais de 10 milhões de voluntários desta fundação de princípios budistas espalhados pelo mundo.
“De ponto de vista de prazos no âmbito do compromisso que assumimos com o Governo em 2019, estamos a bom ritmo, tanto na entrega das habitações como também na entrega das casas. Mas interessava-nos acelerar a entrega deste lote habitações, sobretudo agora, com a situação dramática que a maior parte destas famílias atravessa”, frisou Dino Foi.
Face às inundações que estão a afectar o país, o Conselho Directivo de Emergência da Fundação de Caridade Tzu Chi , reunido no sábado, elevou as províncias afectadas para o topo de prioridades na assistência a Moçambique, com destaque para Gaza e Maputo.


“Para estas famílias, falta um pouco de tudo. Elas precisam da nossa mão e, por isso, a nossa resposta foi, de imediato, pensar em como ajudar. Os ideais da fundadora da nossa organização, a Mestre Cheng Yen, nos impede de ignorar a dor do próximo. Por isso, queremos acelerar este processo para apoiar esta populações”, explicou Denise Foi, a fundadora da Tzu Chi Moçambique, num dia em que esteve numa reunião dirigida pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres em Sofala para avaliar o impacto das enxurradas.
A respostas da Tzu Chi resulta de um pedido do Governo moçambicano face à situação das pessoas afectadas pelas intempéries. Os números oficiais avançados pelo Instituto Nacional de Gestão de Risco e Desastres (INGD) até a tarde de hoje apontam para 122.420 famílias afectadas pelas inundações, 10.890 e 4.787 casas destruídas total e parcialmente, respetivamente, além de 73.347 casas inundadas, havendo também 78 centros de acomodação abertos nas zonas atingidas.
No sábado, o Chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu hoje os esforços da Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique entre as organizações que apoiam as populações afectadas por desastres em Sofala, numa visita ao Centro de Reassentamento de Guara-Guara.
“Temos organizações aqui estão a trabalhar connosco, como a Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique (…) São amigos do Governo e trabalham com o Governo de Moçambique para ajudar o nosso povo”, declarou Daniel Chapo, durante uma visita à província de Sofala que serviu para avaliar a situação das comunidades face à actual época chuvosa em Moçambique.
Nos últimos dias, dezenas de voluntários da Fundação de Caridade Tzu Chi têm estado nos bairros das províncias de Maputo e Sofala para apoiar as comunidades afectadas pelas chuvas que têm assolado o país. A ambição É apoiar as autoridades na assistência às pessoas, bem como fazer um levantamento em torno de necessidades para posterior apoio.
“Parte destas comunidades conhecem o trabalho da nossa fundação em Moçambique. Portanto, a nossa intenção era, primeiro, fazer um levantamento necessário para organizarmos os apoios e, segundo, transmitir uma mensagem de conforto, além de reforçar as acções das autoridades que procuram retirar as pessoas em áreas consideradas de risco”, concluiu Denise Foi.
Fundada no país em 2012, a Tzu Chi tem reforçado a sua actuação em Moçambique desde 2019, após o ciclone Idai, tendo já apoiado mais de 100 mil famílias em projectos ligados aos sectores de educação, reassentamento, saúde e segurança alimentar, sobretudo na região centro.
Actualmente, as autoridades moçambicanas desdobram-se no resgate de várias famílias que ainda permanecem sitiadas, algumas em telhados, nas províncias de Maputo e Gaza, onde a chuva interrupta que se faz sentir há dias na região provocou a subida do nível de diversas barragens.
A época chuvosa em Moçambique começou em outubro e vai até março, tendo já provocado um total de 105 óbitos, segundo dados oficiais.
Moçambique está entre países mais severamente afectados pelas alterações climáticas globais, sendo, ciclicamente, afectado por cheias e ciclones tropicais durantes este período.

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