Reportagem

Especial 60 Anos: Primeira intervenção da Tzu Chi Moçambique em Gaza devolveu esperança a 3.000 famílias

Especial 60 Anos: Primeira intervenção da Tzu Chi Moçambique em Gaza devolveu esperança a 3.000 famílias

por: Esneta Marrove (Texto) e Charles José Carlos (Fotos)

Gaza, 22 de Abril de 2026- Milhares de famílias em Gaza perderam os seus bens face a persistentes inundações. Foram dias de terror e incertezas, com sonhos destruídos em minutos. Mas, em meio à devastação, na primeira intervenção da Tzu Chi na província, há quem encontrou a esperança para recomeçar.

Chuvas intensas no sul de Moçambique e em países vizinhos provocaram inundações que persistiram por mais de um mês, com subida de rios, devastando casas, machambas e diferentes negócios no centro e sul do país.

O aviso parecia rotineiro: a chegada da época chuvosa e província de Gaza, como sempre, entre as mais afectadas em Moçambique. No dia 11 de janeiro de 2026, no Posto Administrativo de Chilembene, a população não imaginava a dimensão do que estava por vir. A precaução não foi suficiente. E, em poucos dias, tudo mudou.

De um dia para o outro, milhares famílias perderam tudo. As águas invadiram casas, arrastaram machambas e deixaram para trás um rasto de dor e incerteza.

 “Foram dias de muita chuva. No princípio resistimos, pensando que ia passar como qualquer outra. Mas, a cada dia, a água ganhava mais espaço nas nossas casas, quintais e machambas”, recorda Mário Mutumbene, vítima das inundações no distrito de Chókwè, província de Gaza.

A província de Gaza foi uma das mais afetadas pelas cheias de 2026. Dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que cerca de 724.385 pessoas foram afetadas pelas inundações em Moçambique.

Mário Mutumbene, de 76 anos, agricultor e chefe de família, vive em Chilembene, no distrito de Chókwè uma das zonas mais atingidas. A sua pequena machamba de um hectare era a única fonte de sustento, foi completamente destruída pelas águas.

“Estas chuvas foram piores que as do ano 2000. Estávamos em casa quando o tecto começou a abrir. Foi aí que percebemos o perigo. Com ajuda dos líderes locais conseguimos sair e salvar a vida”, conta.

Mario Mutumbene
Famílias apoiadas pela Tzu Chi Moçambique

A família de Mário sobreviveu. Mas a casa e as culturas não resistiram. O único refúgio passou a ser um centro de reassentamento provisório organizado pelo Governo.

História igualmente partilhada por Teresa Sitoe, de 63 anos, que partilha a sua vida com um filho e seis netos. Diferente de Mário, decidiu sair antes que fosse tarde demais.

“Saímos apenas com a roupa do corpo. Pensei que voltaria e encontraria a minha casa como deixei. Mas quando voltei, só encontrei um quintal vazio… não sobrou nada”, relata.

As cheias destruíram mais de um hectare de culturas como amendoim, milho, batata-doce e hortícolas prontas para a colheita, o que agravou ainda mais a sua vulnerabilidade.

Foi neste contexto de perda e desespero que a solidariedade ganhou forma.

“A Tzu Chi trouxe esperança para este povo. Foram mais de três mil famílias afectadas, e 2.464 famílias em Hokwe e Chilembene receberam apoio. Isso deu-nos conforto, porque sabemos que podem reconstruir as suas vidas”, afirmou Noé Vasco, chefe do posto administrativo de Chilembene.

A assistência da Fundação Tzu Chi incluiu distribuição de sementes (feijão, amendoim, milho, tomate, couve e abóbora), instrumentos agrícolas como ancinhos e regadores, além de materiais de construção e alimentos.

Um gesto que para Adriano Mboene de 67 anos de idade caracteriza como um” milagre que caiu do céu” no momento certo.

 “A minha casa caiu e não tinha onde dormir. Fiz uma cabana de lona para a minha família. Hoje, com este material, estou a reconstruir a minha casa, um lugar que posso chamar de lar. Só posso agradecer à Tzu Chi, que nos ajudou mesmo sem nos conhecer” finalizou Adriano Mboene.

O distrito de Chókwè foi um dos 14 distritos que a província  de Gaza possui, segundo as autoridades, esteve entre os dois mais afectados pelas intempéries, ao lado de Guijá.

Esta é a primeira intervenção humanitária da Tzu Chi em Gaza, e a mesma acontece num momento em que a fundação celebra globalmente 60 anos, entre os voluntários, renova-se o propósito e convicções.

Teresa Sitoe
Donativos da Tzu Chi em Gaza

 “Este é para nós um marco importante desde o início da nossa jornada voluntária de apoio às comunidades moçambicanas. Por um lado, trata-se de uma resposta imediata da fundação para um período de emergência face às inundações e, por outro, é a extensão da nossa acção humanitária para uma nova província, tornando-se, assim, na quarta abrangida pela nossa acção voluntária em Moçambique” , explicou Dino Foi, Presidente da Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique.

A Tzu Chi é a maior organização humanitária budista do mundo e foi fundada em 1966 pela Venerável Mestre Cheng Yen. “Tzu Chi” significa “compaixão e alívio” e a missão da fundação é aliviar o sofrimento humano, através de actos de bondade e serviço desinteressado.

Presente em mais de sessenta nações, a Tzu Chi presta apoio a todos quantos necessitam, sem distinção de credo, raça ou nacionalidade, sendo movida por elevados princípios morais e espírito de abnegação.

Em Moçambique, a Tzu Chi foi fundada em 2012 por Denise Foi, estando focada no apoio às comunidades em diversas áreas, com destaque para educação, agricultura, saúde e assistência às populações, sobretudo em períodos de emergência face às cíclicas calamidades naturais que têm afectado o país.

Somos  uma organização Moçambicana sem fins lucrativos fundada em 2012 dedicada ao serviço altruísta.

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